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terça-feira, 3 de abril de 2012

Vencedor?

Prezados (as),

Segue abaixo breve texto sobre os excessos da cultura de competição dentro do modelo em que vivemos, cultura esta que atinge crianças e jovens numa intensidade jamais vista. Excessos estes contra os quais nosso projeto, de brincar de bola, foi fundado!


"Nossa cultura (..) acentua os mecanismos de destituição ao excluir quem não se alinha ao padrão de vencedor. Fomenta, igualmente, o medo de errar a escolha e perder, seja em relação à vida profissional, seja quanto à vida amorosa, contribuindo no sentido de ampliar uma certa covardia moral à qual Freud se referia (...).

A obrigatoriedade da imagem de vencedor - insustentável, mas desejável do ponto de vista da demanda social - só é possível mediante o uso de artifícios que escamoteiam qualquer fragilidade. Essa mesma imagem como mandado social fomenta, em contrapartida, como em todos os aspectos da vida no capitalismo avançado, uma multidão de excluídos, aqueles que não podem atingir o patamar de ´vencedores´.

Parte deles seriam os que se nomeiam deprimidos: os sem condições, os com baixa auto-estima, enfim os que se julgam aquém dos demais, condição reforçada pelo contexto social. Esses sujeitos abandonam a luta, deixando-se ficar à margem."

[Adaptado de Edler, 'Luto e Melancolia'. In: Para Ler Freud, 2008.]

3 comentários:

Anônimo disse...

Quao realmente é vencedor o sujeito que ganha?
E precisa sempre um perder para o outro ganhar?
Será que existe também "vitória" no ato de desistir?
Quao corajoso seria alguns, se desistissem?
Esse post me fez refletir sobre algumas questoes - confesso que nao cheguei a conclusao nenhuma, mas acho que só pensar também é válido.

Anônimo disse...

Quao realmente é vencedor o sujeito que ganha?
E precisa sempre um perder para o outro ganhar?
Será que existe também "vitória" no ato de desistir?
Quao corajoso seria alguns, se desistissem?
Esse post me fez refletir sobre algumas questoes - confesso que nao cheguei a conclusao nenhuma, mas acho que só pensar também é válido.

Zema disse...

oi, filho,

Multidão de excluídos .... lembro que lá pela década de 70 esta obsessão pela vitória, o desejo de ser um vencedor (não estou falando de futebol), não era lá muito bem visto pela juventude. Outro dia encontrei um amigo e comentamos (depois de um curto exame) que nenhum de nós, quando jovens, manifestou a ambição de enriquecer (e não enriquecemos). Uma das respostas para este comportamento era a educação humanista que recebíamos (dos pais e das escolas) que foi sendo substituída por modelos quantitativos de avaliação escolar em detrimento do avanço do conteúdo das matérias. Acho tb que a tecnologia é importante, mas só tecnologia o tempo todo??? Isso não pode dar certo. Daqui a muito pouco tempo seremos todos máquinas .... ainda bem que eu já vivi o bastante pra saber que existe o outro lado.

bj